Oh Luís, Luís
Com a idade e alguma experiência que tenho deveria ter sabido que mais cedo ou mais tarde teria de cruzar armas com um homem do anti-paleio. Ainda por cima, presumivelmente, do anti-paleio embasbacado com as curvas deliciosas da ciência que nos faz endireitar a ferramenta subsidiadas por esquerdismos modernos conferidos pela demnocracia das farturas enganosas. Pois é filho, se eu escancarasse a porta desse “paleio” irias ter mais do que uma boa razão para usares maiúsculas coloridas na palavra CONSPIRACIONISTA. Queres um conselho muito sensato, de pessoa amiga que não conheces? Não uses essa palavra em vão para te defenderes ou acusares alguém – queima a língua; é a arma preferida dos ignorantes da repetição que pensam que são livres e a favorita dos homens da intriga que andam a pôr gente como nós uns contra os outros. Não sigas ideias pre-estabelecidas acerca de quase nada. Deixa essa massa cinzenta lamber o ar carregado de informação e desinformação à tua volta e treina-a a filtrar aquilo que a tua condição de homem não-infectado aconselha a colocar na bandeja dos pendentes. A maior parte da ralé como nós que gosta de ter uma opinião anda a viver a vida de aprender todos os dias, a esbarrar a toda a hora com os soldados da filosofia do poder central. Vou deixar a porta do paleio conspiracionista entreaberta, para não afectar o teu corpo com correntes de ar a que não estás habituado.
Se te dignares dar uma vista de olhos novamente pelo meu post inicial, repararás, se fores justo, que há uma certa honestidade da minha parte, e de que a intenção foi apenas a de alertar os que mereciam ou precisavam de ser alertados para o perigo de continuarem a repetir coisas que lhes ensinaram desde os tempos do infantário. Mesmo sem perceber nada de Fisica nem doutras ciências que dela dependem ainda tenho o discernimento necessário para notar a diferença entre “leis” e “teorias”, e o pecado de considerar estas últimas como destinadas ao caixote do lixo não é tão grande como se estivesse a falar das primeiras, que aliás também estão longe de serem sacrossantas. Isto é: teorias são teorias, são teorias, são teorias, e leis são leis. É interessante reparar na admiração que mostras em relação a essa minha aversão a teorias, quando usas o eufemismo “substituir” para reformar ou aperfeiçoar aquelas que já não interessam.. E o que é que fazes com as velhas? Amante do progresso, evolução e calcorrear sem fim em direcção a metas que não se vislumbram para nos conservar sempre ocupados, tu reciclas, melhoras, aperfeiçoas e adaptas. Eu ponho no lixo. É a minha maneira de entrar em conflito com os deuses que não criei.
E, por favor, poupa-me. Não me lances desafios para provares a superficialidade dos meus conhecimentos nesta matéria, nem percas tempo a arregimentar zeros à direita de vírgulas para desfraldares amores percentuais ou aproximações à tua amada ciência.. Há milhares, mas permite-me, conservando-me o mais que posso perto das chamadas ciências exactas, aflorar apenas um dos exemplos flagrantes da certeza que a ciência, pelo menos aquela que é servida como sopa requentada ao público, tem no defecar. Desde os meus tempos de miúdo, a idade deste planeta onde vivemos, ou vegetamos, já foi mudada pelos revisores da ciência aí umas 10 vezes. E não vai ficar por aqui para nos manter entusiasmados. E as actualizações e emendas obrigar-te-ão colocar alguns algarismos à ESQUERDA da virgula. Ai por volta de 1960, se estou bem lembrado, a “idade” rondava entre os 4 e os seis milhoes de anos. Consulta as certezas mais modernas. Vais ficar de boca aberta. Ou talvez não, porque há gente que nunca desarma. Ou talvez um dia venhas a reparar que o caldo das descobertas e avanços da ciência tem de de ser ministrado a conta gotas para nos ir mantendo pendurados pelo beiço da expectativa. Tal como em política que não define uma meta final para a felicidade deste planeta, há sempre o amanhã, do amanhâ, do amanhã, do repetir, do repetir, do repetir, do esperar, do...
Pareces carregar contigo o fardo da opinião de que a ciência é uma coisa e religião e politica são outras no campo das exactidões. Mas é a politica que usa essas “exactidões” com maior proveito. Tudo muito porreiro se ignorarmos o facto de que a ciência anda a passo determinado pela política e de que a política é reflexo, se não for resultado bem planeado, da modernização de movimentos religiosos, apesar da apregoada laicidade dos Estados modernos que começaram, dizem eles, a criar cabelo depois da Revolução Francesa. E para ver isto, ninguém precisa de ser filósofo. Basta ler os jornais ou ouvir os monsenhores da política e os monges dedicados das igrejas e outros templos. Portanto, para teu bem, alija essa carga. Já leste alguma coisa sobre a fusão “natural” dessas três coisas no futuro? Queres alguns exemplos não-conspiracionistas?
Se estivereres interessado, neste blog há uma entrada em 6/12/04 com uma opinião muito diluída, nada especial, sobre conspiracionsimo. É a palavra mais corriqueira do vocabulário do engano. Põe-te a pau, Luís. É papa para todo o estômago e remédio para todos os males. Não abuses dela porque um dia és capaz de inundares a alma com o arrependimento de teres sido tão crédulo... no hard feelings, mate.