Portugal Corner

Sábado, Janeiro 15, 2005

POEMA SOBRE O JOELHO VELHO

Um poema escrito nos joelhos -
Crânios magros de canelas luzidias e jarretas -
Extravasa tintas e ideias inseguras de bons velhos
Que vão gemendo azuis líquidos impossíveis e patetas

Diz: as sombras de antes eram mais escuras -
Nada do alvo equivoco a cobrir as peles de agora.
No hoje velho de males remendados e milagrosas curas
O padre lê-nos a sina e a bruxa abençoa com a lingua de fora

As mentes vergam sob o peso da desinformação
E a prensa da mentira comprime os sucos deste ar
Respirado aos poucos por loucos embalados pela ilusão
De que a noite escura deste inverno novo é uma manta de luar

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005

PSICONETE

BLOG – INTERNET PÕE AS PESSOAS DOIDAS

Nota no BDE 13-01-05 (revista)


O teu post sua a humor negro e transpira com falta de acusações ou lembranças específicas, mesmo que bem intencionado. No que respeita ao desvario mental das modernidades, o computador poderá estar implicado, mas não a Internet que veio revolucionar o escoar de informação de tal maneira que está a causar priapismos disfuncionais nas pessoas que não gostam dum planeta com gente a mais. A verdade é que a maior parte das doenças que nos atormentam agora não existiam há cem, duzentos ou trezentos anos - mesmo descontando algumas delas inventadas por certos cabeçudos da medicina. Pensa figadalmente quando estiveres a engolir uma pastel de nata que não é exactamente igual àquele que o Fernando Pessoa ingeria. É preciso não esquecer que os senhores doutores, ou o sistema por que eles se regem, limpam o sarampo a, pelo menos, 100 mil pessoas em hospitais ingleses e 300 mil em hospitais americanos. Oficial, filho, oficial, nada de conspiracionismos nisto. E pensa no resto dos hospitais no resto do mundo. É um viva contínuo à iatrogenia (esses paposecos daí nem têm a palavra no dicionário para não assustar as pessoas). E isto para não falar das consequências em tomar “medicamentos” cujos efeitos secundários causam (não precisas rir), entre outras desgraças, aquilo que propôem combater. Põe-te também a pau com o que comes e bebes. Evita gorduras, açúcares, alcool, carnes, tabacos - bodes expiatórios dum mundo que te anda sempre a pedir para abrires a boca para dizeres AHAHAHAH. O tabaco mata e causa quase tudo o que há de mau neste mundo. Sure, sure - e os bilhões de dólares em emplastros de nicotina ainda matam melhor a necessidade de trabalhar que os conselhos de administração da Big Pharma têm para viver à rica e à francesa.

THUNDERBIRDS GO!

Ao Filipe do BDE a propósito do “Virgil”.

Acedi com muito prazer à tua sugestão para dar uma vistas de olhos ao artigo do Vital Moreira e fiquei com se tivesse levado um murro duma criança de mama.. Porquê? Porque só vi o que estou acostumado a ver nele: uma caligrafia lindíssima, impecável, de facto, mas não tanto que vá obrigar alguém a fazer bicha para comprar as suas “farpas” de mexerico político repetitivo cheio de virgulas meticulosas que um dia certamente incluirá em cento e tantos volumes de obras incompletas, só para chatear o feito do Ramalho e do Eça. Não? Repara como ele reagiu a um insulano qualquer que o anda a plagiar e a pespegar o peixe no DN. O causídico é cioso das suas produções alinhavadas. E repara também no uso civilizado do termo “pruridos” ou no abuso apressado de chamar “histórica” á declaração que não passa de bocejar descontente dum frango político que não dá garantias de vir a portar-se como galo. Quando nos aconselhares novamente a ir ler essa sereia de cantos de capitalismos derrubáveis com palavras bonitas, podes ter a certeza que não irei nisso. Tenho mais que fazer do que andar a perder tempo com um homem que anda há muito tempo a disfarçar com um bigode aerodinâmico que não é o Virgil do Thunderbirds.

Terça-feira, Janeiro 11, 2005

EXOMOLOGESE


Hoje acordei com uma dor pecaminosa na memória do passado
Que se debate agora nas ilusões modernas do tempo renovado.

Hoje vejo na ponta do dedo o sinal molhado da prova inegável
De ter viajado por terras do buraco-desejo do corpo enganável.

E vejo a belamaria querida a somar as moedas da alma vendida
E a irmã dela coitada a lamber os cravos da véspera já falecida

E o alexandre a contar a história do muito que nunca aprendeu
E o velho rui a colorir os quadros duma era que já não sou eu.

Hoje pior que olhar atrás é ver a consequência das coisas loucas
De ludovinas antigas com lábios novos a ornamentar-lhes bocas.

E ninguém me quer ajudar a confessar pecados de recordar
Ou enxugar-me os olhos das lágrimas impossíveis de estancar

Hoje quero expurgar de vez o meu distorcido passado eleitoral
E resgatar acusões que fiz a um culpado que não era principal

Mas o que oiço são cornetas e pífaros tocados por gente fingida
Vendendo as ideias que tive aos novos pecadores desta vida.



Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

O SÉCULO DOS LUÍSES ...

Oh Luís, Luís

Com a idade e alguma experiência que tenho deveria ter sabido que mais cedo ou mais tarde teria de cruzar armas com um homem do anti-paleio. Ainda por cima, presumivelmente, do anti-paleio embasbacado com as curvas deliciosas da ciência que nos faz endireitar a ferramenta subsidiadas por esquerdismos modernos conferidos pela demnocracia das farturas enganosas. Pois é filho, se eu escancarasse a porta desse “paleio” irias ter mais do que uma boa razão para usares maiúsculas coloridas na palavra CONSPIRACIONISTA. Queres um conselho muito sensato, de pessoa amiga que não conheces? Não uses essa palavra em vão para te defenderes ou acusares alguém – queima a língua; é a arma preferida dos ignorantes da repetição que pensam que são livres e a favorita dos homens da intriga que andam a pôr gente como nós uns contra os outros. Não sigas ideias pre-estabelecidas acerca de quase nada. Deixa essa massa cinzenta lamber o ar carregado de informação e desinformação à tua volta e treina-a a filtrar aquilo que a tua condição de homem não-infectado aconselha a colocar na bandeja dos pendentes. A maior parte da ralé como nós que gosta de ter uma opinião anda a viver a vida de aprender todos os dias, a esbarrar a toda a hora com os soldados da filosofia do poder central. Vou deixar a porta do paleio conspiracionista entreaberta, para não afectar o teu corpo com correntes de ar a que não estás habituado.

Se te dignares dar uma vista de olhos novamente pelo meu post inicial, repararás, se fores justo, que há uma certa honestidade da minha parte, e de que a intenção foi apenas a de alertar os que mereciam ou precisavam de ser alertados para o perigo de continuarem a repetir coisas que lhes ensinaram desde os tempos do infantário. Mesmo sem perceber nada de Fisica nem doutras ciências que dela dependem ainda tenho o discernimento necessário para notar a diferença entre “leis” e “teorias”, e o pecado de considerar estas últimas como destinadas ao caixote do lixo não é tão grande como se estivesse a falar das primeiras, que aliás também estão longe de serem sacrossantas. Isto é: teorias são teorias, são teorias, são teorias, e leis são leis. É interessante reparar na admiração que mostras em relação a essa minha aversão a teorias, quando usas o eufemismo “substituir” para reformar ou aperfeiçoar aquelas que já não interessam.. E o que é que fazes com as velhas? Amante do progresso, evolução e calcorrear sem fim em direcção a metas que não se vislumbram para nos conservar sempre ocupados, tu reciclas, melhoras, aperfeiçoas e adaptas. Eu ponho no lixo. É a minha maneira de entrar em conflito com os deuses que não criei.

E, por favor, poupa-me. Não me lances desafios para provares a superficialidade dos meus conhecimentos nesta matéria, nem percas tempo a arregimentar zeros à direita de vírgulas para desfraldares amores percentuais ou aproximações à tua amada ciência.. Há milhares, mas permite-me, conservando-me o mais que posso perto das chamadas ciências exactas, aflorar apenas um dos exemplos flagrantes da certeza que a ciência, pelo menos aquela que é servida como sopa requentada ao público, tem no defecar. Desde os meus tempos de miúdo, a idade deste planeta onde vivemos, ou vegetamos, já foi mudada pelos revisores da ciência aí umas 10 vezes. E não vai ficar por aqui para nos manter entusiasmados. E as actualizações e emendas obrigar-te-ão colocar alguns algarismos à ESQUERDA da virgula. Ai por volta de 1960, se estou bem lembrado, a “idade” rondava entre os 4 e os seis milhoes de anos. Consulta as certezas mais modernas. Vais ficar de boca aberta. Ou talvez não, porque há gente que nunca desarma. Ou talvez um dia venhas a reparar que o caldo das descobertas e avanços da ciência tem de de ser ministrado a conta gotas para nos ir mantendo pendurados pelo beiço da expectativa. Tal como em política que não define uma meta final para a felicidade deste planeta, há sempre o amanhã, do amanhâ, do amanhã, do repetir, do repetir, do repetir, do esperar, do...

Pareces carregar contigo o fardo da opinião de que a ciência é uma coisa e religião e politica são outras no campo das exactidões. Mas é a politica que usa essas “exactidões” com maior proveito. Tudo muito porreiro se ignorarmos o facto de que a ciência anda a passo determinado pela política e de que a política é reflexo, se não for resultado bem planeado, da modernização de movimentos religiosos, apesar da apregoada laicidade dos Estados modernos que começaram, dizem eles, a criar cabelo depois da Revolução Francesa. E para ver isto, ninguém precisa de ser filósofo. Basta ler os jornais ou ouvir os monsenhores da política e os monges dedicados das igrejas e outros templos. Portanto, para teu bem, alija essa carga. Já leste alguma coisa sobre a fusão “natural” dessas três coisas no futuro? Queres alguns exemplos não-conspiracionistas?

Se estivereres interessado, neste blog há uma entrada em 6/12/04 com uma opinião muito diluída, nada especial, sobre conspiracionsimo. É a palavra mais corriqueira do vocabulário do engano. Põe-te a pau, Luís. É papa para todo o estômago e remédio para todos os males. Não abuses dela porque um dia és capaz de inundares a alma com o arrependimento de teres sido tão crédulo... no hard feelings, mate.

Domingo, Janeiro 09, 2005

DESACELERAÇÃO DE PARTÍCULAS

AINDA SOBRE AULAS DE FÍSICA NO BDE.
Quem não quizer ler tudo o que vai por aí acima, leia este resumo:

O JOSÉ MÁRIO SILVA e o JORGE (inspirados por uma fotografia de Einstein a dar ao pedal) foram os grandes instigadores deste processo meio baralhante, meio educativo onde toda a gente fala com muito boa intenção baseada em aprendizagens ou interesses mas ninguém tem soluções definitivas a apresentar. Neste aspecto não há que ter vergonha pois imitamos outros sectores da vida agitada deste rincão de ignorância a beira-mar plantado. Esses dois mecos começaram a discussão, encostaram~se a um canto e trataram de saborear o espectáculo, se calhar com um sorriso de sacanas.. São sem dúvida os que mais ganharam com isto tudo. E se inventaram o nome Filipe Moura, a ideia foi realmente genial. Parabéns!.
O MÁRIO ALMEIDA é um ceptico de poucas palavras. Não gostou e pôs-se a andar. Voltou no fim para pedir desculpa, mas já não havia filhozes de neutrinos.
O MCG acha que os cientistas não são reconhecidos como merecem, mas é pouco específico nas suas acusações que o colocam no campo melindroso da utopia. Nice chap.
O HFM ficou à espera mas nunca voltou para ver como é que paravam os neutrôes.
O CONDE DE ALHOS VEDROS, farto de sabichões, desapareceu envolto nas brumas aristocráticas e deve ter ido para à sua mansão da Ilha do Rato, donde vê passar cacilheiros que vão enganados para o Montijo e ouve a melodia de sons roucos de aviões podres que os americanos nos vendem.
O VIRIATO, tal como nosso valente antepassado, é homem mais de acção que de palavras. Ficou-se, portanto, na meia-dúzia delas, seguidas de reticências para aduzir ao mistério da Física...
O LUIS gosta de Física a valer, apela à sabedoria do fantasma Filipe Moura e declara-se contrário ao post do mexerico. Gosta de piadas que envolvem o tamanho do sol.
O NECROPHORUS, uma das vozes positivas, reage com a atitude de “open mind” sempre bem-vinda numa discussão de blog acerca dos problemas desta vida. É pena o pseudónimo: “necro” demais para um espírito tão vivaz.
A PALMIRA acha que estou a “exagerar” e que não “percebo”, parecendo não reparar que não fui eu que disse as coisas que ela tenta rebater. Há muita sacanice humana para ser revelada a esta jovem estudante que acredita demasiado nas“Histórias” que se contam às criancinhas universitárias. Tenho visões de que triunfará academicamente, como é normal entre pessoas que se aferram a empinar. Mas quem é, Palmira, que lhe garante que o Epicurus e Lucrecius tiveram opiniões sobre a velocidade da luz? Livros escritos por copistas no século XVI em mosteiros italianos? Não há originais desse tempo, sabia? Sugestão de busca: Anatoly Fomenko, History. Mais confusão, mais dores de cabeça...
O MÁRIO meteu o bedelho para ser descortês para a Palmira. Naughty boy. And CANZOADA is no better for being so rude.
Quando o SERAPITO chegou já não havia ninguém. Coitado!

E enquanto toda a gente toda a gente se vai preparando para acelerar mais particulas argumentativas, eu proponho solenemente por fim a tanta palavra bem intencionada. Porque, afinal, o mundo poderá muito bem não passar duma ilusão completa. E a prová-lo a realidadade de que o átomo é apenas 0.00009 matéria. Espreitem dentro dum, se não acreditam. E pensem num pedregulho de cem quilos com o peso dum grão de areia. No shiiit.!!