Portugal Corner

Sábado, Janeiro 08, 2005

A CIÊNCIA É RELATIVA...

A minha opinião de hoje no BDE.
O meu propósito quando coloquei o meu post não foi o de me deixar enredar numa discussão sobre os méritos desta ou daquela teoria. Essa não é a minha especialidade e e também estou longe de possuir a competência requerida. A minha intenção foi meramente a de alertar os inocentes que se deixam levar pelas pressões oficiais de canonização científica de certas figuras. Na minha experiência diária de utilizador da Internet, de cinco em cinco minutos sou bombardeado com os bigodes do Einstein ao lado da pergunta: “Are you stupid?”. Isso complica-me com os nervos e faz-me pensar em lavagens de cérebro. Para mim, todas as teorias científicas estão condenadas, mais cedo ou mais tarde, ao balde do lixo. E neste destino não são diferentes das teorias políticas e dos dogmas religiosos, que de certa forma investiram na maneira como a ciência é apresentada e ensinada. Num certo sentido, podemos dizer que não há verdadeiro progresso se não houver vontade para contestar. Aparentemente, no campo do electromagnetismo já foram feitos avanços que ainda não foram reconhecidos pelos mandarins da ciência oficial. Uma busca na Internet ao nome do grande cientista que foi Nicolau Tesla irá certamente esclarecer muita gente sobre este ponto. Antes do Harvey nos ter ensinado as voltas que o sangue dá, a medicina conheceu periodos de congelamento científico ainda mais longos que daqui a Harvey. A teoria microbiana de Pasteur, muito conveniente para a indústria da pastilha, da vacina e do antibiótico, está em vias de de dar o peido derradeiro. E é um nunca acabar de coisas que irão acontecer num futuro mais ou menos próximo se o mundo não for posto a arder com a nossa cumplicidade de não querermos ser curiosos..

No livro “The Elegant Universe”, Brian Green exalta as virtudes das Teorias da Relatividade e dos Quanta que nos permitiram confirmar muita coisa com exactidão. Mas, na minha opinião paradoxalmente, avisa-nos : “As they are currently formulated, general relativity and quantum mechanics cannot both be right”. É preciso não nos esquecermos que vivemos numa época de tantas “certezas” científicas que ninguém, nos institutos superiores técnicos ou nos MIT, é capaz de explicar qual é a energia que permite manter um magneto colado permanentemente à porta dum frigorífico.

"PORC TOUT GAI"

A quase famosa “blague” francesa que define um porco risonho com três palavras que soam “portugais” não me ofende – antes pelo contrário, até a considero felicissima na arte de nos fazer rir sem termos de pagar - nem deveria ofender ninguém de sangue lusitano acostumado às delícias do histrionismo que envolve a maior parate dos comentários sobre política, especialmente em tempos de eleições. No entanto, o que é amargo é constatar que quando andávamos a descobrir novos mundos com os nossos matalotes - mundos que depois oferecemos numa bandeja a outros - ainda eles, os franceses, andavam com probelmas de falta de sal e camembert, que procuravam com muita foçanguice entre as coxas das mulheres e das namoradas – um método que aliás se propagou mais tarde com uma certa relutância pelo resto da Europa.

E não é só com suinos que os franceses nos associam. Eles também acham que as nossas mulheres são muito cabeludas, quando dizem, por exemplo, que o objecto mais vendido no Dia da Mãe em Portugal é a máquina de barbear, ou que os homens em Portugal usam bigode para ficarem parecidos com as mães. Ou, ainda, que os aviões da TAP são reconhecidos em qualquer aeroporto internacional por terem cabelos debaixo das asas. Tudo muito bonito e engraçado, enfeitado com a acusação derradeira de que o nome dum masturbador português é Manuel – isto é, “manual”. Daí à lua é um saltinho de trezentos mil quilómetros. E eles, os fazedores de blagues, sabem que nunca fomos à lua como os americanos porque não há lá casas para limpar. Uma alusão ao trabalho de muitos portugueses em França. Ils ne manquent pas de culot- les champions du cunninlinguisme!.

Mas há pelo menos duas coisas que os franceses nunca ousaram aproveitar como assunto para fazer anedotas. Uma delas é a ideia surrada de que Pasteur foi um homem importante. Outra é o mistério napoleónico de terem visto duas maçonarias fraternais à bulha em Austerlitz e Waterloo – mistério que ainda os faz chuchar no dedo porque que não tem graça nenhuma.

Há, no entanto, outras coisas mais interessantes no “humor” francês. Fica para mais tarde.

Uma última definição amorosa, envolvendo os nossos compadres espanhóis:

Qu'est ce qu'un Espagnol ? Un Portugais qui a fait des études !

Et voilà tout!!

Sexta-feira, Janeiro 07, 2005

NOTAS EM FISICA

Sugestão ao BDE:
Já que o outro Filipe não se descose, aqui vão umas linhas (de Richard Moody, Jr) que irão, tenho a certeza, surpreender certos patos bravos que nunca ouviram falar de plágio praticado pelos deuses da ciência que lhes ofereceram para consumo.
"The most recognisable equation of all time is E = mc2. It is attributed by convention to be the sole province of Albert Einstein (1905). However, the conversion of matter into energy and energy into matter was known to Sir Isaac Newton ("Gross bodies and light are convertible into one another...", 1704). The equation can be attributed to S. Tolver Preston (1875), to Jules Henri Poincaré (1900; according to Brown, 1967) and to Olinto De Pretto (1904) before Einstein. Since Einstein never correctly derived E = mc2 (Ives, 1952), there appears nothing to connect the equation with anything original by Einstein."
Se quizerem saber nais, batam "Einstein Nexus" na Google. Não tem de quê.

Quinta-feira, Janeiro 06, 2005

MAIS QUE AS MÃES....

Em Fevereiro, o candidato favorito é o Sr. Abstenção que não anda a pedir a ninguém para ser colocado à cabeça de nehuma lista...



Hoje é o ultimo dia das fervuras que vão sacudir as tampas aos tachos
Que são ainda maiores que os caldeirões dantes oferecidos aos faxos

Hoje há pessoas que vão ficar a roer as unhas da desilusão nos partidos
E a humedecer os lábios oficiais cansados de tantos boatos desmentidos

Hoje vai haver lágrima de mulher séria que andou a palmilhar o parlamento
A enfunar as saias das cabeças com aragens que nunca chegaram a vento

Hoje é o dia das primaveras que anunciam os invernos frios dos orçamentos
E é dia de alianças que se formam sem auxílos de contagens de s. bentos

Hoje é o dia em que muitos vão perder as estribas e rogar juras à má hora
De terem ido prá cama com um partido ingrato que agora os deixa de fora

Hoje vai haver muitas condolências de executivos das grandes companhias
Com abraços de tristeza e sugestões para servir a nação com outras alegrias

Hoje há gente que vai pensar em cortar completamente com o partido desleal
E escrever ao antigo namorado que ainda milita na disfarçada união nacional

Hoje há muita gente da esquerda/direita que não vai aprender mais uma vez
Que os partidos são só dois – eles é que andam todos a dizer que são dez




Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

HISTÓRIA PARA ENSINAR AOS MENINOS.....

História
São cantos e trovas,
Sem provas,
De gente finória.
São lendas, emendas,
Ficção
De Jornalistas de então,
Ou copistas cronistas
Chamados Afonso e Fernão


História
São contos de fadas,
Peças aldrabadas
De padres fariseus
E outros vigários
Serventes
E utentes da palavra Deus.

História,
Ou o pouco que dela havia,
Acabou
Em Alexandria
Com a queima
Dos livros e tomos
Que contavam quem somos.

História
São carolas
De estolas,
E catolicões.
E são rabinos finos,
Insuflando tretas
Em cabeças tontas
De meninos.

História
É o escrivão
A mudar datas,
A rasurar actas,
A meter as patas pelos pés,
A olhar de revés,
E, à sucapa,
Convidar o Papa
A ter respeitinho
Ao Moisés

E tanto é
Que agora...
Dois mil anos depois,
Aqui andamos tu e eu,
À nora,
Os dois, como bois,
Confusos nesta hora,
Repetindo loas,
Engolindo óstias, broas
De jesuítas,
Dominicanos,
Marranos
E anglicanos
Americanos,
Com planos
Para varrer
Da memória da gente
A verdade recente...
Do grande saque
Perpetrado
No Iraque...

Terça-feira, Janeiro 04, 2005

PRIMEIRA DEMÃO...

Se um dia quizeres pintar a nova visâo
Com a vontade-cor de abrir o novelo
Não uses as tintas do passado aldrabão
Nem pincéis de velhos a largar o pêlo

Porque pintar com tintas envelhecidas
Usando as brochas que se tem à mão
É o mesmo que copiar presentes vidas
E chamar arte àquilo que é repetição

E se achares isto um terrivel conselho
Que fere as peles delicadas do esteta
Pergunta a esse borrador muito velho
Que nunca passou de rapaz de paleta

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

GUERRA DAS FREGUESIAS...

Foi na Moita que perdi os três pela segunda vez...
Com as putas pobres que vinham de Lisboa fazer uns cobres..
Umas vezes era sob luas ou à sombra de fundeadas faluas...
Outras pelo meio da uva que pedia a Deus que não houvesse chuva..





Tenho a certeza que se ainda vivesse na ribeirinha Sor d`Ovelhas (encriptação anagramática dos meus tempos de andar a pastar cabras), também eu pertenceria ao grande movimento para restaurar os direitos dessa terra em relação, ou contra, a sua “boring” vizinha – a Moita aborrecida e aborrecedora que, costumava dizer-se aí há uns cinquenta anos, só ganhava alma e colorido por altura das festas da Nossa Senhora do Rosário ou quando se falava das peripécias do pároco João desses tempos que tinha a fama de dar lições privadas de fervor religioso às mulheres dos industriais corticeiros. Felizmente, ou infelizmente, as coisas vieram a passar-se de maneira diferente e hoje encontro-me em “terras de Sua majestade”, como diz o outro, talvez a viver os mesmos problemas de alma dos alhosvedrenses, mas em ponto grande, pela simples razão de me encontrar mais perto dos epicentros dos terramotos da intriga política. E digo “de alma” porque já ultrapassei a fase masturbatória que leva gente nova ou mais nova, tudo malta mais ou menos bem intencionada e com a cabeça quase a rebentar com certezas, a ir em grupos, a criá-los, inchá-los ou a aderir a um dos muitos partidos “históricos” constantes dos cardápios rançosos do engano político.

Mas esta não-militância da minha parte não reprime inteiramente a vontade de querer dar a um imaginário e aguerrido galo blogador deixado pelo conde de Barcelos para liderar a luta antimoiteira um conselho de pessoa que vê o mundo de maneira diferente.

E esse conselho é: com esta grande grande preocupação de redesenhar o mapa político-administrativo dessa àrea à beiratejo em mente, escolhe uma noite calma quando já toda a gente estiver a dormir. Bebe um copo de água fresca ou natural da melhor que tiveres em casa, refastela-te numa cadeira de braços, e fixa um ponto indefinido no teto da tua sala-de-estar. Se fumares, um cigarro poderá ajudar-te a ganhar o tipo de concentração que necessitas para tomares decisões importantes ou remendares maneiras de ver.

Dedica pelo menos quinze minutos a esta operação de “limpeza” espiritual. Esquece-te de tudo aquilo que no teu blog é superficial e destinado a encher espaço. Primeiro certifica-te de que a mudança que procuras ou preconizas irá corresponder a um progresso realmente necessário ou é apenas um pretexto para desopilares as raivas que tens armazenadas pelas muitas horas que tiveste de esperar em bichas na secção de finanças para tratares de assuntos de cinco minutos e, depois, se decidires que não estás a brincar, se progresso equivale a mudança, e, quando optares por aquilo que te parece justo, compara isso tudo com os montes de mudanças que nunca trouxeram progressos genuínos e repara que nunca há falta de gente sempre pronta a empurrar-nos para novos cornos de touro que resultarão em progressos que não virão mudar nada. Pensa nos prós e nos contras e nos ganhos e nas perdas e em termos de sabermos o que é que realmente andamos a fazer no uso da verdadeira razão. Pensa nas inimizades e contra-amizades que irão ser geradas entre pessoas que em princípio nada têm umas contras as outras. Pensa em todas as coisas boas e más que poderão resultar quando, finalmente, te convenceres e convenceres os teus conterrâneos da necessidade de restaurar certos direitos que foram abafados ou espezinhados pela História da intriga municipal com cunhas em Lisboa. Se usares essa cabeça, que em princípio estará fria na noite silenciosa cortada de vez em quando pelos gasganetes ruidosos de motorizadas, irás reparar que neste mundo em que Alhos Vedros é um pico e Portugal um pontinho há sempre alguém a puxar o cordel que nos faz mover como bonecos necessários no tablado dos antagonismos necessários à distracção. Há gente para quem o desamor é comida vital. Há gente que gosta de nos ver a ler Histórias aos quadradinhos. Há gente que engorda com os conflitos entre terceiros. Chama-se controlo. Chama-se maquiavelismo. Chama-se intriga.

Repara, por exemplo, na contradição, que no fim acaba por ser casamento como acontece na politica do engano, entre “História” e “Progresso”. Vai-se aos sebosos pergaminhos da História colher provas (neste caso, a muito antiga importância da freguesia de S. Lourenço onde a realeza antiga vinha inundar os pulmões com os ares puros do Rio dos Paus e da Quinta dos Lacraus), para combater aquilo que ela própria assinalou como Progresso na altura, o que iliba os pobres moiteiros do crime de nos terem roubado alguma coisa. Isto implica que tanto a Historia como os solavancos de progresso fingido de que é feita pouco têm a ver com contabilidades ou movimentos nos livros da justiça. O que têm a ver é com com os jogos de interesses entre cavaleiros locais predominantes na época. História é o resumo, incompleto e falso muitas vezes, de coisas que se passaram de acordo com os desejos de classes ou grupos de influência – tão cuidadosamente cobertos que raramente transparecem nas descrições dos relatores - e o Progresso é aquilo que é definido como um salto em frente pelos filósofos da política mas que no fundo não passa de pura evolução ou adaptação muito necessária para a continuação de planos de dominação permanente.

Portanto, Alhos Vedros ao poder, sim, mas com calma e sempre atentos à verdade de que os calhamaços da História estão cheios de mentiras!!




E agora, alargando um pouco a intenção destas linhas, deixa-me, à guisa de opinião de muita boa gente, largar uma de fazer sorrir os saloios com cursos de sociologia baseados na História do engano: os partidos políticos mais fortes e os únicos que sempre contaram foram os que foram criados, por portas e travessas e com muita manha, pelas religiões velhas. E quanto mais velhas, melhores, porque a experiência conta muito. Foram essas raparigas, quase sempre vestidas de preto e muito barbudas, que meterem os partidos nas cabeças das pessoas à martelada ou com ajuda de óleos escorregadios. O resto são tretas. Mas, infelizmente, nada disso nos tem impedido de andar a fingir que sabemos distinguir entre liberais de esquerda, radicalistas de direita e centros de pernas para o ar.

Os partidos e os homens da chamada burguesia - que foi um nome que se inventou para etiquetar històricamente um novo estilo de roubar e explorar introduzido pela Revolução Francesa - gente de propriedade e meios dita “progressista” no seu tempo porque condenava absolutismos nos dias em que estava bem disposta, não podiam continuar à cabeçada uns com os outros porque afinal pouco havia que os dividisse, alem de os cansar desne-cessàriamente. Havia, portanto, urgência em enfeitar os parlamentos com “verdadeiros” representantes da ralé e das classes trabalhadoras. Para equilíbrio, também. Por isso, inventaram-se partidos ou ligas ditas de defesa dos interesses da classe operária, invariavelmente com intelectuais às suas cabeças. E surgiram, entre outros e com muito barulho histórico, o socialismo e o marxismo com análises “científicas” e promessas de metas finais de paradisiacos comunismos – uma coisa que nunca ninguem tinha prometido antes e que chocou agradavelmente as massas exploradasos que nunca suspeitaram, nem suspeitam, coitadas, de andarem a ser instrumentos de diabos que nunca se deram bem com Deus. Dizer que a “tomada de consciência do “proletariado” aconteceu porque a classe trabalhadora despertou um dia com fortes pressões temporais e dores de barriga económicas é abusar da inocência. Mais perto da verdade é acreditar que os embates violentos entre a esquerda e a direita e as divergências antigas nos seios de cada uma são totalmente fabricados por braços especializados de religiões ou cultos que têm segredos que não querem revelar a ninguem. Se fosse possível examinar estas coisas em laboratório, ver-se-ia que em soluções críticas, as partes tenderiam a atrair-se forçando a expulsão dum gás verde de intriga.

Infelizmente, poucos estão interessados em pôr em causa a viabilidade dos partidos que compõem a grande orquestra do dogma secular e da moralidade milenária escolhida com o dedo da conveniência. Enquanto vamos ouvindo sem cessar os estalidos incómodos das castanhas científicas que andaram a entreter-nos durante mais anos que os necessários, de Newton a Darwin, passando por Pasteur e Einstein, as abantesmas da política democrática de esquerda, em contrapartida, ainda continuam agarradas, por inocência ou manha deliberada, a principios que já passaram à tal História ou a outros cuidadosamente renovados mas de igual modo condenados a envelhecer sem produzirem nada. E não produzirão pelo motivo simples de que não há intenção em avançar com algo que poderá pôr fim ao baile de máscaras dos partidos independentes..

Na opinião deste bisneto de caramelos, quando se anda à bulha com as outras freguesias não é apenas para matar o aborrecimento - anda-se também a brincar às distracções deste mundo....