Portugal Corner

Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

PALAVRAS CONFUSAS...

Caro camarada insaftisfeito...
Ok, já que me convidas a continuar esta discussão em privado, aqui tens a minha concordância, e numa linguagem que não pretende melhorar estilos nem usá-los para melhor vender as minhas ideias ou provar os meus pontos de vista, uma coisa em que aparentemente pareces investir e acreditar. Nota, no entanto, que os grandes estilistas duma língua nem sempre os que defenderam as barricadas que se ergueram para combater formas de opressão e ignorância. E de mentira.Mas deixa-me começar pelo princípio do teu post, na convicção de que não estarei a utilizar as doses de fanatismo que animam a maior parte de gente que milita em partidos ou abraça filosofias independentes de liberalismos democráticos. Primeiro: não acredito, como tu pareces acreditar, que todos os partidos estão “esclesorados” (sic). Há aqui um fosso tremendo entre as nossas opiniões (ou convicções) a este respeito. Tu vês apodrecimento natural que resulta da falta de visão da parte daqueles que criticas, eu vejo plano e intriga que escapa ao poder de detecção de membros de partidos e da maior parte das chefias dos mesmos. Tu és um intelectual que lamentas o “esboroamento dum legado intelecctual e vivencial” nesse rincão e eu sou um simples cidadão deste mundo que acha que Portugal é muito pequeno para explicar o que de opressivo vai por esse mundo fora. Em vez do teu “esclerosados” escolheria “manipulados” ou “assimilados” , ou “arregimentados”, se me perguntasses. O apodrecimento ou entupimento político pode ser acelerado por processo artificial. Ou tu ainda andas, ou vives, agarrado à ingénua crença de que “comunismo” deu o peido na União Soviética porque andava “esclerosado”?Tu não focaste apenas o PC no teu post incial. Tu, ressalvando aquilo de decente que ainda dizes restar no BE, abriste os braços e deste um murro no martelo desenfoiçado e outro na cruz. Um gesto talvez impensado ou acidental, mas muito próprio de alguém que milita em certas irmandades que sabem mais de política que aquilo que tu andas a querer ensinar de politica aos que te lêm . Segundo: a linguagem e o pensamento, ao contrário do que tu dizes, SÃO dissociáveis pelo menos quando não há honestidade. É essa dissociação, não o negues, que provoca muitas vezes as tuas críticas, que são, de certo modo, o queixume do povo com palavras escolhidas a dedo. Para quem é tu achas que o Maquiável andou a escrever o Principe? Para aqueles com moral para aceitar que “a linguagem é a manifestação do pensamento”. Por favor.Terceiro: a expressão linguística de que falas nunca me seduziu, porque não tenho ambições políticas nem literárias. Estou velho demais para isso e se calhar nunco fui suficientemente novo.Deixo isso aos puristas como tu. Podes ficar com a honra, com o proveito e a fama porque não alterarás o facto irremediável de andares a esbracejar numa língua que tem tanta importância para o resto do mundo como a política do pais. A menos que escrevas para aí outro “alquimista” que caia no goto das pessoas. Alem disso, o que é que a verdade, que é o que me interessa, tem a ver com os meneios voluptuosos da escrita? Mesmo numa idade destas, prefiro orgasmos clássicos, acredita.Quarto: Confuso por te dizer que não usas um pouco de intuição política, e que quando a usares talvez consigas tornar as tuas análises políticas mais convincentes? Deixa-me dar-te uma ideia simples de intuição política que passa despercebida a muita instruída como tu: 40 por cento de eleitores, por exemplo, a remoerem em silêncio “isto é tudo a mesma merda” em altura de eleições.Intuição política é também o que se usa quando tentamos saber porque que diacho é que dois maçons (Napoleão e Wellington) andaram à cabeçada um com o outro. Queres exemplos mais modernos? Imperialismos, yeah? My f..... foot.Parece que não aceitaste a minha desculpa por ter insinuado que o outro fulano eras tu. Na minha segunda comunicação, não me lembro de ter reiterado isso nem sequer veladamente. Mas já que voltas à carga, talvez não de importes de revelar o teu nome completo ou verdadeiro. V.... não me diz nada. Parece nome de de malabarista ou mágico. Se me rogares uma praga, rogo-te, roga-me uma branca. O meu nome é o que sabes. Não pertenço a nenhum partido (já pertenci) mas não me admiraria que no final disto tudo se viesse a estabelecer que tenho mais experiência do que tu na arte de desafivelar as máscaras dos outros. Sabes que o que é que alguem como eu fazia quando vivia em Lisboa e tinha umas corôas a mais, numa semana boa? Ia jantar a restaurantes burguêses e comia com as mãos só para chocá-los. Desculpa o “estilo” aberto e franco. Pode não convencer gente como tu destinada ao Olimpo da Buraca, mas é que o que se pode arranjar, filho. Nem me vou dar ao trabalho rever o que escrevi por aí acima. Quem as comer (as asneiras ortogramaticas, de estilo e de opinião) que as lave...