OLARILA!, SENHOR DOUTOR
Explicação à Catarina, no BdE (Rev.).
Apraz-me saber que és mulher prática preparada para dar as tuas voltas e resolveres os teus problemas de mãe. Mas não podes descurar essa “dependência” que tem vindo a acentuar-se, em relação aos médicos. Há as vacinas, as papinhas especiais, as alergias, as doencinhas congénitas, etc. etc. O amor maternal é, claro, mais importante que o resto. Mas, como sabes, quando um bebé dá um espirro ou dois a tendência das mães é correrem sobressaltadas ao sr. doutor. Não que eu tenha nada contra eles no aspecto religioso (?) porque há pessoas profissionalmente competentes e de bom coração em todas as profissões. Além disso, os médicos não seriam tanto o que são se a indústria farmacêutica não fosse o que é. Mas repara na minha experiência pessoal. Ai por volta de 1971, em Portugal, três deles quase que mataram a única filha que tenho com doses repetidas de anti-bióticos diferentes para curar uma “papeira” que no fim verificou-se ser um caso de coli bacilo. O quarto médico, que descobriu a doença, disse que não sabia se a poderia salvar depois de olhar aos resultados duma análise ao sangue. Mas tivemos sorte. Aí uns dois anos depois disso, em Londres, a minha mulher teve uma gravidez tubária. Caíu-me um dia nos braços. Levei-a ao hospital de carro e foi forçada a caminhar mais de cem metros para uma sala de observações e vinte minutos depois disso estava a ser operada de urgência, senão morria. Mesmo assim, dois anos depois engravidou, mas teve hemorragias no princípio da gravidez. O médico que a viu diagnosticou aborto expontâneo e passou-lhe um papelinho para se apresentar na manhã seguinte no hospital, para “limpeza”. O feto condenado por esse médico ignorante está à espera dum herdeiro em Junho que vem. Quando este meu filho tinha dois anos e meio, começou com dificuldades respiratórias e levámo-lo imediatamente a um “teaching hospital” em Londres. Diagnóstico: constipaçãozinha. Remédio: xarope. Nessa mesmo dia, de nossa iniciativa porque preocupados, fomos a outro hospital e foi imediatamente posto a soro de hidrocortizona com a informação de que se não tivéssemos lá ido teria morrido nessa noite. Asma. Depois andou vários anos a tomar um veneno chamado Intal, cortesia dos médicos que comem tudo o que a BigPharma lhes põe nas mãos. Nice people. Mas há mais. Ai por volta de 1987, comecei com uma dor no joelho. Diagnóstico: menisco. Seguido de operação desnecessária porque ainda fiquei pior. Uma visita a uma biblioteca médica e a leitura apressada de alguns livros sobre problemas de joelhos prepararam-me para eu próprio diagnosticar a doença (reflex symphatetic distrophy) que apresentei ao chefe de fila do departamento de ortopedia que, quinze dias depois se sentiu com coragem para me dizer: “You are right Mr, Filipe.” Este senhor era, na altura, considerado a eminência nacional de problemas do joelho. E fui eu também que me mediquei. Seguiu-se um caso de tribunal para me forçar a pagar a operação desnecessária e ganhei. Mais recentemente, um idiota de urologia achou-se com coragem para me dizer que eu tinha uma doença terrivel na bexiga, baseando-se apenas em resultados preliminares dum “ultra-som”. Não o mandei à trampa nessa altura, mas, depois de alguma reflexão, escrevi um carta aos serviços de saúde no dia seguinte a chamá-lo de labrego. Espero não vir a arrepender-me disso. Ainda mais recentemente - e aqui é que há razão para se falar de fascismo da medicina - a minha filha foi retirada da lista duma clínica por ter, julgo, recusado que a minha neta mais nova fosse submetida a quaisquer tipos de vacina. Mas esta é uma história ainda mais longa. E se um dia te cruzares comigo numa praia algarvia e veres sinais de cesariana na minha barriga, já sabes que foram médicos que a fizeram há trinta anos para meterem a cabeça e ver o que era que andava a dar-me dores de barriga e febres de 41 graus. Apendicite crónica. Olarila!

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