Portugal Corner

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

POLÍTICA: COMO SE A GENTE JÁ NÃO SOUBESSE

Peçam a dez políticos o favor de lhes definir a palavra “Politica”, e verão que não irão ficar surpreendidos com a as respostas que irão obter. Um a um, uns com menos certeza que outros, vomitarão a opinião de que a política é uma arte, uma ciência, uma maneira de gorvernar, de administrar, de resolver os problemas duma nação, quer sentados em cadeiras ministeriais ou nos bancos de plástico de luxo dos parlamentos. No sentido figurado do mundo dos dicionários, “politica” ganha até definições contraditórias ou confusas como, por exemplo, “esperteza” , “civilidade” “cerimónia”, etc. E para reforçar esta ideia de que a politica em si é uma coisa respeitável, e com calo para fazer frente a todos os ataques que lhe façam, a única maneira de alterarmos essa importância e estatuto é adicionar adjectivos que podem ir de “arbitrária” a “zelosa”, passando por “suja” e “ordinária”. Mas política em si, nua, simples, como palavra de oito letras por vezes com inicial maiúscula, não é coisa para brincadeiras no mundo que tem de ser bem administrado. Se fosse, como é que se explica o facto de centenas de milhões de pessoas estarem dispostas a participar nela directa ou indirectamente ou a achá-la necessária com graus variáveis de entusiasmo por esse mundo fora?

Mas nem todos concordam com essa opinião que se tem da politica. E eu sou um deles. Porque, para mim, a política não passa de teatralização social ao serviço duma classe, ou de cabalas ou crostas com interesses bem definidos e com representação em vários partidos, quando os há, para contentar aqueles que têm mais olhos que barriga ou gostam duma ementa comprida. Pouco importa os rótulos desses partidos – o poder nunca teve má boca nem preconceitos sociais.

Quando há milhares de anos os tribunos da antiguidade dita pagã digladiavam nos areópagos das minorias vestidas até aos pés, as crises eram solucionadas ràpidamente com a ajuda da cicuta, do punhal e da intriga. Nesses tempos, os esfomeados eram muito menos e não eram povo e o povo ainda contava menos que o soldado. O perigo dos reviralhos vinha quase sempre daqueles que exerciam influência junto da tropa. O golpe militar não foi, infelizmente, inventado na América do Sul. Os duzentos anos, ou por aí, da democracia ateniense, tão cantada pelos poetas e politicos de hoje, não acolhia no seu regaço escravos, mulheres ou imigrantes e outra gente rota. A fantochada, que foi sempre acompanhada de sentimentos imperialistas em relação a outras terras, foi interrompida por porque andava tudo cansado de andar a fingir, e nunca mais se manifestou lá ou noutros lados em muitos séculos a vir. Mas a politica da intriga movida a ouro e prata e não regulamentada nunca acabou nem perdeu a característica de estar ao serviço duma ou duas classes que só serão mais bem definidas se vistas num contexto de religião e de cabalismo, porque politica é religiao, e religião é politica - diga-se o que se quizer nos livros de parecer bem.. O crescimento das populações escravizadas e exploradas veio forçar o poder de intrigas de palácio e igreja a sair para a rua e a usar intermediários profissionais que aprenderam depressa a convencer o povo que há gente que anda a olhar por ele. E foi assim que a politica se transformou, conforme nos contam os doutores, em ciência e arte...

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004

MAIS VALE ESTAR CALADO QUE ESCREVER VERDADES

Hoje foi um dia de extrema canseira, e são terças-feiras como esta que daqui em diante vão ser os meus dias semanais dedicados à crónica regular, com vontade mas não sei se capacidade coloentérica para fedorizar o ar internético. Até os donos do blogger, ou eu, ou outros, ficarem com o saco cheio de inconveniências ligeiras. E estas crónicas não podem ser escritas sem a dor matinal de dar um giro obrigatório pelos pasquinzitos do norte e do sul de Portugal, a maior parte deles sujeitos à manápula do homem de bagulho internacional, que continuam a entreter as massas com exercícios escritos completamente desnecessários do ponto de vista da informação, porque parece que ninguém gosta de ser informado, utilizando quantidades variáveis de despudor que pode ou não pode estar envolto em papel celofane a cheirar aos antibióticos crivosos das agências de informação do costume. Apesar disso, é agradável ler coisas novas logo de manhã cedo, quando os grilos ainda não estão refeitos do choque causado por revoluções em terras de ralos e lacraus! E não são venenosas as picadinhas nas peles da malta semi-acordada ou entregue a modorras doentias. Vai-se cantando e rindo com o mesmo tipo de pirolitos informativos que se bebiam no tempo de El Salazar, o do nariz aquilino e vida de eremita que dizia que o governo não era quem mandava mais (surprise, surprise) com gases extremamente comprimidos que a Oposição utilizava para fabricar bombas caseiras nos vários atentados contra o cardeal Cerejeira e dirigentes da Mocidade Portuguesa que sobreviveram a todos os ditos actos de violência. Por essa razão, que pode ser ou não ser ridicula pois depende ainda de sanção e da opinião recente e abalizada do grande e ainda popular Mário Soares, podemos considerar estarmos a viver na idade moderna do sèvènape gasoso que conserva o homem publico acordado ou a arrotar bocalmente e o publico/povo a dormir e a usar, para o mesmo tipo de despressurização, um orificio anatòmicamente oposto e muito mais indecoros pronúncia, proctal digamos.. Que enjoo de alma, a interferir com os baques de coração do português médio! Que desfalecer de ânimo cancelador da vontade urinar na posição do costume, que é a vertical absoluta. Vou mas é já queixar-me a Deus com muita pressa e insistência e oficialismo com uma folha de papel selado que vou pedir ao Saldanha Sanches que parece ter renunciado à destruição do capitalismo sem selo branco. Isto não pode continuar assim. Isto tem de acabar. Temos que começar a pensar em criar uma Frente Nacional dos Jornalistas Desgostosos Consigo Próprios, que será baseada na existência concreta de 5 por cento do corpo de escrevinhadores profissionais que não estão dispostos a andarem ao mando das canetas-mores do imperialismo! Mas, pensando bem, o melhor é travar. Nada de cavalgadas sonhadoras. É melhor aguentar.O melhor é esperar que o Bush se decida se irá ou não atacar a Siria e o Irão, ou a Coreia do Norte, ou introduzir quinta-colunistas no governo chinês, ou provocar sarrabulho na Ucrânia ou nomear Bin Laden Secretário de Estado da nação que quer forçar burghhers de liberdade pelas goelas abaixo das outras nações. Temos de dar tempo ao tempo. Esperar que isto acalme um pouco mais e desapareça o perigo do grande cogumelo do dia do juizo. E depois, quando isso estiver tudo resolvido, podemos voltar calmamente à mesma, à brincadeira das lutas de classses que tem andado a enganar/distrair muito convenientemente a classe operária esclarecida dos trabalhadores saloios. Mas que ninguém desanime. Um dia, provàvelmente depois do Futebol Club de Sarilhos ganhar o campeonato nacional da primeira divisão, ainda iremos dar àqueles com unhas oportunidade para escreverem guitarras históricas. E não faltarão jornalistas com verdadeiros pares de cordões para estenderem a roupa suja da porcaria que anda por todo o lado. Será a nova era dos Redescobrimentos.

Mas, meu Deus! Ainda não disse nada e já vou aqui. Deixa-me mas é encher o meu diariozinho com mei dúzia de linhas realmente a propósito das “notícias” de hoje.

Em Portugal, entrámos na fase romântico/ronceira de adulação presidencialista... à la miterranda, à la chiraca, à la française. Chic, chic. Chic. Andam todos a beijar as partes mais salientes e anteriores do sr Presidente das postas de pescada silenciosas e inocentes mas que mesmo assim não lhe diminuem nada o Poder real e o segredo de poder botar com o governo na rua. Este governo de direita tem tantos, tantos, tantos problemas que até parece que não é filho da mesma mãe divorciada que deu à luz todos os governos de Portugal... e no estrangeiro. Juntando a minha voz ao resto, vamos a isto: que este governo, por favor, tenha um bocadinho de vergonha e saia já porque ou isto é democracia ou comem todos. E faça favor de lavar os pratos antes de sair porque aqui não há criados para ninguém. Ora essa! Já viram esta pouca vergonha! Saia, e saia já, porque senão vou dizer ao meu amigo Manuel Alegre que é especialista a dar uma no Cravinho e outra na ferradura que se mete nos costados dos Portas para dar sorte. Lembrem-se disto: o Manuel tem o apoio 16 por cento da brigada socialista! Não é para brincadeiras!!
Mas parece-me que houve mais qualquer coisa de interesse nos jornais do nevoeiro em Portugal. Deixa-me lá ver. Tah, tah, tah, Tah, tah, tah....Ah, já sei: um comunista alentejano decide passar à reforma, rechocnchuda suponho, depois de mais de vinte anos de serviço abnegado ao seu partido e à terra dos sobreiros. E não vai querer continuar a ser militante do partido! E isto é o que eu chamo ter lata, mesmo sabendo que é o que normalmente acompanha uma reforma de verdadeiro comunista. Lá têm os desgraçados de base que continuar a varrer as ruas de Beja, para garantir o resfatelamento do Domingos Abrantes na poltrona do costume e animar a chefia do novo secretário-geral que nunca deve ter ouvido falar da “Miséria da Filosofia” antes do 25 de Abril. Tirando isto, parece-me que não há mais nada de importante a assinalar, excepto, talvez, que aprendi que o Rothschild francês tem cobiças “liberais” em relação ao jornal Le Monde. Foi a liberalizar, a liberalizar é que o macaco ......

ÁGUA DAS MALVAS E LAVAGENS DE CÉREBRO

Se pensas que há vários caminhos ou vias
Entre as linhas das coisas que te dão a ler
Pergunta aos frades inocentes das abadias
Para te contarem a história do ter e haver

Tem muito cuidado quando leres um jornal
Revistas ou panfletos para gente esdrúxula
Há coisas que parecem de interesse capital
Mas só são Conversa com letra maiúscula

Desconfia das bruxas, das siglas e cantos
Põe um pé atrás quando ouvires as missas
Não vás em cantigas ou fados com prantos
De gente indolente com boinas postiças

De padre, ateu e rabino que nunca vai nú
Virão as promessas de futuros guisados
E planos mundanos para engordares o cú
Com toucinhos frios e azeites coalhados

O homem que vive de mistérios e salgas
Nesta história de chamas e ouro a arder
Anda com medo que o mandes às malvas
Porque não há mais malvas para colher





Segunda-feira, Novembro 29, 2004

O ZERO POLITICO COMO EXPRESSÃO EQUIVALENTE DO NADA MEDIÁTICO

Quando, com regularidade, nos damos ao trabalho de ler, ver ou ouvir órgãos de informação e outras maneiras estranhas, estrondosas, oficiais, e coloridas de discutir ou comentar a verdade arrebicada ou escamoteadda e trazê-la para a rua para discussão, ponderação e o que mais houver pelos Zé Marias e e Marizés de Portugal, o que é que se aproveita no fim disso tudo? NADA. Nada de surpresas, nada de revelações, nada de propostas para encararmos o mundo duma maneira realmente diferente. Não é que NADA disto não seja natural e esperado. Mas mete qualquer coisa parecido com raiva. A mesma fingida intenção de criticar os que procuram
soluções antigas para problemas novos. O mesmo dedinho jornalista temeroso de tocar na ferida nacional porque não é autorizado ou porque o patrão não gosta, enfim, a mesma falta de pudor em não ser despudorado. Coitado do “nada desaparece, tudo se transforma” que anda cada vez mais a parecer-se com o “tudo desaparece e nada se transforma”. Até parece álgebra..Uma muito recente prova disso chegou-nos com os diagnósticos de jornalistas estrangeiros quando palparam o pulso fraco da televisão portuguesa e torceram o nariz com preocupação e pena. Foi preciso vir malta de fora, aliás com muita desgraça na maneira como arrumam as suas próprias casas, dizer aos portugueses que eles estão muito proximos de não valer NADA em matéria de informação, apontando-lhes que há certas maneiras de gerir canais televisivos que são contraindicadas ou não aconselháveis para sair do NADA. Uma semana depois destas críticas alguns rapazes com boa vontade notaram que a qualidade dos programas estava a ficar um tudo NADA melhor.O que não é NADA para admirar...

Mas, curiosamente, esse “NADA” não corresponde perfeitamente ao equivalente ZERO, muito embora o acompanhe muitas vezes, porque há muitas maneiras de interpretar algorismos, e o ZERO, na opinião de muita gente sabida, nem sequer é um número. No entanto, há uma certa maleabilidade no emprego desse menino redondinho e anafado em expressões do tipo “politica suja” (aquilo que é sujo em política) não apenas porque o termo “sujo” funciona como apêndice ornamental (ZERO) que tem perdido significado por força da repetição, mas também porque essa expressão/invectiva não é dirigida a ninguem em particular, daí a escassez de políticos em Portugal dispostos a oferecerem-se como recipientes voluntários desse tipo de acusação. No contexto dessa expressão, “ZERO” corresponde a “sujo” e “política” corresponde a “NADA”. Logo, não é correcto pensar-se que há mais pecado, crime ou incompetência em ZERO do que há em NADA, porque em termos de informação ou produção de coisas boas tão frutuoso é um como é o outro.

Quando as acusações de que algo anda muito sujo começam a manchar as farpelas finas das damas e cavalheiros que se equilibram na corda bamba do NADA e do ZERO, com salpicos dirigidos e concentrados sobre a cabeça dum visado que não teve cuidado, então aí é que as coisas começam a ficar um tudo NADA pretas ou com mau aspecto, podendo complicar-se, resultar num desfiar em cadeia que não convém a ninguém de todos os quadrantes politicos ou na promoção do ZERO a número positivo com consequências matemáticas dramáticas e imprevistas.. Felizmente, casos desses são rarissimos e de não temer porque todos sabemos o que é que a casa gasta. Há sempre o espírito de maNADA solidária que prevalecerá quando toca a fazer contas de cabeça. Dos arsenais do mundo invisível começarão a brotar os pretextos e as piscadelas de olho e apertos de mão que porão fim a temperaturas que só são de ZERO absoluto na aparência. Concomitantemente, para evitar os perigos enormes representados pela queda livre no espaço da negatividade que é vizinha perigosa do ZERO, NADA, falsa e rechonchuda heroína com poderes enormes, estende sempre o braço a esse desgraçado redondo e aflito e convida-o a passar uns tempos num hotel de luxo (Henrique o NADAdor) de que é proprietária uma senhora de idade incerta mas que foi de certeza testemunha ocular de todas as revoluções do passado com repúblicas no desfecho.



BLOGUISMO VISTO DA LUA

Do meu correspente na Lua, Polemicus, irritado por interferências blogais aos seus períodos de meditação sem gravidade..


Os “blogues” são coisas inventadas para entreter crianças na chamada fase triássica superior masturbatória, altamente influenciada pelo terceiro ciclo lunar do calendário juliano dum deus globalista sem pejo e com plano histórico a longo prazo. Esse deus, de impossível descrição por falta de provas e ausência de DNA, não tem escrúpulos de qualquer natureza; nem tampouco se deixa vergar ao peso da vergonha oficial ou tradicional em assuntos que concernem moralidades tecnológicas que servem o grande capital de fundo rácico/elitista que se encobre, para se deslocar com sorrateirice e proteger-se de contaminações politicas, sob o manto confundidor de cores purpurinas, pretas e júdico-jesuiticas com epicentros maçonico/humanistas de diversão, máscaras liberais e canhões democráticos de segurança reguladores do voto obrigatório. Uma boa percentagem de bloguistas sabem disto intuitivamente mas esquecem-se assim que aprendem, devido a relâmpagos sem energia registadora, isto é, com durações nanosegundárias que se manifestam durante ataques de sono irreprimível, particularmente em sessões subsequentes a refeições repletas de hidrocarbonetos sólidos ou cocacolizados. Esta incapacidade de registo dos bloguistas, que tem como causa a grande velocidade de transmissão das ondas anárquicas de esclarecimento, é agravada pela presença de forças antagonistas e incorpóreas que são, por sua vez, o resultado dum ambiente cibernético de envolvimento subliminal poderoso. Por essa razão, a mensagem/clarão dilui-se quase instantâneamente, e o bloguista é, sem se aperceber disso, forçado a voltar ao teclado escravizante que nutre por ele um desprezo electrónico programado desumanizadoramente frio e imutável.

Entretanto, os mestres das alavancas tecnológicas da filosofia globalizante fundada no movimento dos planetas e na sobreposição das pirâmides em relação aos astros estão devidamente e constantemente cientes dessa vantagem, que é a incapacidade que o relâmpago tem de não deixar registo ou mossa nas cabeças dos bloguistas que acreditam na liberdade ficcional escrita nos papiros dos tempos que passam. Alem disso, as aparelhagens monitoriais da confusão deliberada das imagens e textos mediáticos possuem também vários mostradores que vão informando os seus operadores doutros estados mentais dos bloguistas com interesse para o avanço da ideia escondida dos manipuladores de alto coturno. E, quando necessário, a alavanca de redução de pressões para evitar a faixa crítica do vermelho pré-explosivo é accionada prontamente com a violência ou pressa aconselhada pela escala pré-programada, permitindo desse modo a expulsão, purga ou alimpamento dum pensamento bloguista racional que poderia ter representado o perigo de servir como redutor, ou de ter acção cancelatória, dos enormes danos causados pela emissão de noventa e nove outras opiniões profundamente erradas emitidas no intervalo entre dois relâmpagos. Mas há tempestades piores.

Um dos perigos menos detectados pelo bloguista médio, em fervor ou conteudo, é o de não ver a esperteza refinada dum sistema aparentemente descomplicado que finge aceitá-lo com naturalidade não planeada, mas que no fundo visa dominação indirecta. Tal sistema consiste em providenciar a esse mesmo bloguista o equipamento necessário para ensinar, opinar, distrair ou distrair-se, numa fase da sua vida que traria mais ensinamento se fosse dedicada à aprendizagem madura ou ao sopesar imparcial das variáveis em jogo no mundo da intriga política.

Há dois tipos principais de actuação bloguista, com os seus respectivos desfechos, a considerar. Primeiro, temos o tipo desvairado ou aéreo de bloguista, que é o que limita a sua actuação à repetição fiel de ideias seguidoras de consensos de moral, politica ligeira e moda propagados e propagandeados nas páginas da normalidade e transportadas literalmente, muitas vezes por colagem, para as terminais de vómito (saída) blogal, sem qualquer espécie de análise intuitiva. O relâmpago manifesta-se com muito menos regularidade em bloguistas desta natureza.O elemento artificoso de distracção, contido no feno diário oferecido às multidões para discussões e argumentos que nunca chegam a lado nenhum, passa-lhes despercebido e fá-los mergulhar de cabeça no poço que contém tudo: desde água estagnada ao desvario romântico juvenil acompanhado de bica e pastel de nata. O desfecho para este tipo de mentalidade bloguista apresenta, alem disso, certos perigos físicos, como, por exemplo, o de exaustão cerebral causada por assimilação diária de mentiras em excesso, mas, regra geral, salda-se sem drama de maior depois dum ano ou dois que os vê regressar engravatados ao mercado da normalidade do emprego bem pago que lhe permitirá sobreviver para contar aos filhos e netos as campanhas de bate papo e esclareecimento nacional. Provavelmente casa feliz com alguém que conheceu através do blog.

O segundo tipo de actuação bloguista é bem mais complicado, porque colado ao sonho das transformaçãoes preconizadas em evangelhos modernos criados para conservar as pessoas nervosas e manipuláveis. Nesse meio podemos encontrar gente de esquerda dita bem intecionada, malta de direita retorcida, sofisticada ou saudosista, e liberais desorientados que não sabem o que é que hão-de fazer à vida para continuarem na história que ameaça esquecê-los antes de os ridicularizar. Uns e outros, todos aliás, reformam as linguagens de acordo com as modas e o gosto dos apaniguados, ou a necessidade do voto, à medida que novos monstros são fabricados ou ressurrectos para contentar ódios que gostam de variedade e mudança. Esta animação ao serviço do bloguista político é posta em frenético movimento pelo motor ensurdecedor, subjectivo e repetitivo, da ideia de que há soluções partidárias para problemas politicos, auxiliado pelo combustível quase religioso de que há gente politica boa e gente politica má. Ou que é possível substituir uma classe por outra em nome da evolução e dos números determinados por analistas de todas as eras supostamente interessados na melhoria de vida dos pobres deste mundo. Mas a verdade, essa verdade que todos um dia iremos descobrir à nossa custa neste mundo ou no mundo que vem se tivermos sorte, é diferente. E mais verdade ainda é o facto de que o Judaismo, o Cristianismo e o Islamismo não são classes – são formas de interpretar Deus do Céu para dominar as gentes da terra. E são eles que são, com a ajuda de mistérios organizados em grupos de pressão muitas vezes mascarados de coisas humanitárias, que dão voltam às cabeças doidas dos homens e que modelam os partidos que dizem nada ter a ver com eles. O negócio que dá é o negócio do deus dará. E Deus é, ainda, mesmo in absentia, o secretário-geral dos partidos mais velhos do mundo que continuam a ser os partidos mais fortes de agora. Conta isso aos teus amigos dessa terra que nunca mais quer aprender.... a ver. Polemicus.