Portugal Corner

Sábado, Novembro 20, 2004

MÁRIO SOARES E O ESTADO DA RESPÚBLICA

ODE À CRISPAÇÃO
DO PAÍS DOENTE, COM MAUS ANOS DE VINHO.




Oh Mário, diz-me francamente se foi amor
À Nação, ou trabalho dado ao país amado,
Aquilo que em ti mostrou um certo despudor:
O levantares a tampa ao tacho revoltado

Pelo que vejo, há dôr e crispação em tudo
Que tem causado à nossa terra muita desfeita
Mas aquilo que torna este Zé mais carrancudo
É não saber se vamos ter melhor colheita

Felizmente nesta terra já não estamos sós
Não há sidónios nem otelos doutras eras
Bruxelas tem o olho piramidal em cima de nós
E este povo já está farto de primaveras

Por isso sobe o Nilo em paz de alma
Esquece a república: ela vai bem de saúde
Volta para o ano com a mesma calma
Mas não fales de liberdade muito amiude

Porque há mil maneiras de querer amar bem
E outras tantas de curar com palavras e lições:
Só é moderada a liberdade que o povo tem
Se moderadas forem as velhas revoluções

Sexta-feira, Novembro 19, 2004

MÁRIO SOARES "SPILLS THE BEANS"

MÁRIO SOARES "SPILLS THE BEANS"

Mário Soares, venerando papá da esquerda portuguesa, antigo membro fundador do MUD Juvenil, do Partido Comunista, da Acção Socialista, do Partido Socialista e de dezenas de outros comités e comissões anti-fascistas e se calhar até dalgum Royal Archismo ainda mais importante, provou que é homem que ainda pode bater meias- solas quando a oportunidade se apresenta para pôr certas coisas em pratos limpos. E ninguém o faria com mais autoridade e menos pompa - competência a que não é estranha um currículo de sessenta e tantos anos de politica afanosa que o viu guindar-se ao céu do poder em Portugal.

Agora que as palavras já saíram da boca ilustre e se começa a pensar no dano ou benefício que elas poderão trazer, resta saber o que é que as pessoas vão dizer quando tiverem de confrontar o surpreendente reconhecimento de que havia menos corrupção no tempo de Salazar que na era dos cravos murchos que andam por aí a pender de janelas de poderes locais, regionais, centrais e laterais que vão gastando ou esbanjando o dinheiro que deveria ser empregue na compra da água que deveria ter conservado esses cravos viçosos e côr-de-rosa..

Obrigado, Senhor Soares, por ter trazido a público as parangonas que as marílias jornalistas nunca tiveram a ousadia de botar nas primeiras páginas dos pasquins ao serviço do adormecimento nacional. Que essa língua sem papos se conserve por muitos anos pronta a parecer que está do lado dessa liberdade que vê em perigo. Eu bem andava desconfiado, aqui na terra das chuvas e nevoeiros, que deveria haver muito negócio pouco claro no comportamento de certos andarilhos e escaladores e que o brilho fusco que jorrava a medo das carecas de chefes políticos não era apenas devido ao facto de que há, em politica, boas colheitas e más colheitas, como acontece com o vinho. Se realmente fosse assim, já há muito tempo que a cantina da AN anda a passar tinto de 7 graus da região delimitada de S. Brás de Alportel, cuja qualidade passaria despercebida por não haver contraste.

Só uma perguntinha que não quer provocar embaraço: a corrupção é só de agora ou refere-se também aos anos que viram damas e cavalheiros socialistas à frente de todos os tipos de poder em Portugal? E esse lençol comunitário de Bruxelas que nos protege contra eventuais arrancadas de militares de maus modos – será que essa gente está devidamente imunizada contra o leque de venalidades que infectam os corredores da politica em todo o lado? Cuidado, hem!

Quinta-feira, Novembro 18, 2004

TABAQUISMO E FARMACO-DEPENDÊNCIA

O meu primo Fernando, que trabalha nos escritórios duma empresa de comercialização de rendas falsas e peitilhos postiços, com uma lista de clientes espalhados por toda a Europa vomitadora, telefonou-me hoje para Londres para me dizer que as coisas estão a ficar pretas ou, pelo menos, da côr do alcatrão, para os fumadores de Portugal. Segundo ele, o Governo está quase a dar à luz um decreto que vem criar uma situação em que toda a gente tem direito apanhar cancro através do cigarrinho, sim senhor, mas só em casa ou no jardim. Ou então mete-se num combóio para as Caldas e fuma vinte maços de cigarros, pois parece que os viajantes de longa distância estão imunes contra os malefícios do fumo. Planos para urinóis com bocais à altura da cabeça para despejo de hálitos atabacados e passeios públicos com faixas da largura dum pulmão e velocidades mínimas obrigatórias de 20 quilómetros à hora para fumadores estão a ser devidamente considerados pelas autoridades do pelouro sanitário. Mas isto ainda é segredo. Desgraça das desgraças! - lamentou-se o meu primo.
E tinha razão, "O Público," um jornal que é destinado a uma minoria pública que não gosta da palavra povo porque faz lembrar má educação e cheiro a suor, também fala disso. E conta tudo. Quer dizer, quase tudo. Que raio! Pelo menos podiam perder cinco minutos e escrever uma opiniãozinha radical informando-nos que nos tempos áureos de Salazar os bifes eram caros mas que, por outro lado, só uma em cada mil mulheres fumava durante a gravidez e que no tempo do D. Carlos, nem se fala. Era só um arzinho desse tipo que estavamaos à espera. Ou então apresentar provas concludentíssimas de que o tabaco provoca todos os males que tem fama de provocar. Mas não, com a ajuda do JN e duma rapariga chamada Lusa, passam para consumo da gentalha a mesma água de malvas do costume benzida pelos tecnocratas de Bruxelas que querem desviar a atenção do tal "público-povo" dos grandes malefícios contidos em muitos outros produtos de consumo, incluindo, e principalmente, produtos alimentares.
Mas o que é que a gente há-de fazer? Hoje o tabaco, ontem os setenta e seis medicamentos que os potentados farmaceuticos tiveram a doce bondade de baixar no preço. Tira o cigarro da boca de esquálidos dentes castanhos e engole-me esses comprimidos encarnadinhos num lado e verdes do outro! Não admira: os lucros são tão grandes que até se podem dar ao luxo de vender de acordo com as capacidades dos bolsos, e às vezes nem desse pretexto precisam. Tamoxifin, um medicamento utilizado no tratamento do cancro do seio, pode custar cinco ou seis vezes menos no Canadá que nos EUA. Mas o pior não é a anarquia, o free for all, praticada pelas grandes bruxas da pílula do engodo. O pior é o acostumar o corpo à beberagem quotidiana de medicamentos que contêm na sua própria substância o poder para desencadear as doenças que se propôem combater. E é nesse campo que importa lembrar que o chamado "tabagismo" apregoado pelas ludovinas médicas não tem, por conveniência de cabalas, correspondente nas suas preocupações quando vem à baila a dependência em relação aos produtos da Big Pharma. Os venenos contidos no tabaco, a maior parte deles substâncias artificiais introduzidas por produtores que não são impedidos dessa prática, deveriam com justiça ser motivo de preocupação por parte de fumadores e não fumadores. Mas num mundo onde se obrigam tantos milhões de pessoas, incluindo grande parte da população dos EUA, a beber água quimicamente "equilibrada" para "proteger" os dentes das criancinhas com as consequências brutais que os anti-tabaquistas não gostam de ler em jornais, ou discutir, talvez fosse interessante saber onde é que irá acabar esta grande jornada politica do "tabagismo passivo" que já viu um cão quereloso a queixar-se de tosse convulsa a um juiz da grande América do estandarte anti-fumador... Será que eles andam a fazer isto tudo porque pensam que a malta que fuma como nós tem tendência a portar-se menos como ludovinas? (dá-me aí lume, pá, antes que a patrulha da polícia robótica das nações simiescas cheguem).

Quarta-feira, Novembro 17, 2004

COMO COMEÇAR?

Olha, se calhar o melhor é começar por dizer que as ludovinas daqui, desta Londres de história muito respeitável e nunca muito afastada das grandes encrencas que acontecem por esse mundo fora, fazem uma pequena diferença das ludovinas daí, do Portugal dos descobrimentos e do bacalhau alto. Essa diferença é provàvelmente devida ao facto de que a língua que por aqui se fala e escreve é a lingua dos "imperialismos de diversão" inventados para entreterem as multidõezinhas de esquerda (e de direita com bom coração) que não se cansam de recorrer às prateleiras das estantes das bibliotecas públicas abarrotadas com os tomos dos mestres da sabedoria.

Toda a gente terá oportunidade de refutar ou ridicularizar tudo aquilo que se escrever neste blog. Mas, por favor, não me venham com histórias da carochinha do tipo: o meu país é pequenino e valentão e fulano de tal (o politico à frente do Governo) é que anda a causar a desgraça. Isto por duas razões: primeiro porque tenho uma aversão com calo a gente que bate palas a trapos e, segundo, porque tenho a certeza que as sedes dos governos dos países nem sempre se situam nos lugares indicados nos mapas. Ok? PS. Peço desculpa de antemão pelos pontapés acidentais na gramática lusa e desconhecimento total da gíria juvenil. Daqui fala um homem maduro.